Grande lançamento! Mais uma demonstração
do design e desenvolvimento completamente nacional de um
produto automotivo. Imagine-se na Europa, sabendo que no
Brasil há uma pequena picape que pode levar 750 kg
de carga, chega a 178 km/h, tem cabine maxcab, lateral alta
step-side com visual retrô e ainda por cima usa um
motor que funciona a álcool ou gasolina – coisa
impensável para o europeu. Não vão
entender.
Mas isso é a Montana, brasileirinha,
avançada. Começamos por dentro. O motor é
o velho 1.8 Família-1 (Monza) flexfuel que equipa
simultaneamente os carros da GM e Fiat. Esse é o
motor do momento e não há dúvidas quanto
a isso. Vibra mais que os outros? Paciência! Pelo
menos você não vai reclamar dizendo que o carro
é fraco nas subidas, que não ultrapassa ou
retoma direito etc.

A cabine não é nem simples,
nem estendida. Ela é uma maxcab, vista em muitos
carros conceituais nos últimos anos e com poucas
empresas com coragem de colocar isso no mercado. Há
um espaço um pouco maior que o da cabine simples,
suficiente para um bom posicionamento do banco, permitindo
maior inclinação para trás e uma pequena
área para bagagem dentro da cabine. Quando se parte
para cabine estendida, ou se diminui a área de carga
ou se aumenta o comprimento do carro ou o entre-eixos: a
maxcab é a solução mais adequada para
banir as cabines simples das ruas.

O painel é moderno com um conjunto
central que engloba os controles do ar-condicionado, rádio
e CD, numa só unidade com mostrador no alto, desestimulando
o furto dos componentes, solução da década
de 1950 e adotada em vários carros nos últimos
anos. Isso pode ser um problema para o consumidor, pois
não poderá escolher o sistema de som que quiser,
tendo que ficar com o de fábrica, normalmente inferior
e muito mais caro que os do mercado de acessórios,
mas é o preço pela segurança. Para
quem curte uma tecnologia mais adequada, das 4 opções
de equipamentos de som, duas tocam CDs em MP3 o que dá
umas 160 música por disco.
A frente esta alinhada com os outros modelos
da família Corsa, mas a traseira possui um novo módulo
com lanterna redondas, também no estilo dos carros
conceito. A caçamba possui uma grande área
de carga e uma suspensão que utiliza o sistema de
eixo de torção traseiro da Zafira, por isso
conseguiu ser homologada para 750 kg, se bem que o desempenho
deve ficar muito comprometido e a calibragem dos pneus traseiros
precisará ser altíssima, provavelmente em
torno dos 50 psi com carga total.

O grande detalhe de design é o
conceito el Camiño junto com step-side modernos.
No início, as caçambas das picapes eram step-side,
mantendo toda a área dos pára-lamas salientes
e fora da caçamba, conseguindo uma area de carga
totalmente retangular. Com o tempo, se percebeu que as laterais
podiam passar pelos pára-lamas, pois a área
retangular continuava lá e havia o ganho de muito
espaço. Mas no conceito atual anabolizado, os pára-lamas
podem ser ligeiramente step-side sem comprometer espaço
interno. O que parecem ser entradas de ar nas laterais são
degraus para acessar a caçamba.

El Camiño foi um conceito muito
difundido nos EUA durante as décadas de 1960 e 1970
para picapes derivadas de carros sedãs quatro portas.
A idéia era essa mesma aí. Uma cabine um pouco
mais longa e uma lateral alta na caçamba na mesma
plataforma do carro original. Sempre foi um conceito vencedor
por lá. Além da vantagem visual a lateral
alta permite uma acomodação melhor da carga
e para fazer isso, nada como essa solução
dos degraus, coisa que as picapes americanas não
chegaram a ter.

Mas a Montana off-road é off-road?
Não, não é. Precisamos balizar melhor
as coisas. Para ser off-road precisa ser 4x4, ter reduzida
e ângulos de ataque e saída com um mínimo
de 35 graus. Este modelo chamado de off-road segue a trilha
das “adventures” perdendo feio em altura livre
do solo – 200 mm contra 233 mm da Dobló –
certamente apenas pela escolha de pneus de altura convencional.
Mas para o usuário normal, a linha Montana é
um grande avanço, pois a altura livre em relação
à picape Corsa anterior aumentou para ficar quase
a mesma da Blazer 4x4, que é de 208 mm.
A picape Corsa 1.6 ia de zero a 100 em
11s e chegava a 167 km/h com consumo na estrada de 16,9
km/l com 92 cv e 13 kgfm A Montana tem 109 cv(a)/107 cv(g)
e 18,2 kgfm(a)/17,3 kgfm(g) chegando a 180 km/h(a) e 178
km/h(g), indo de zero a 100 em 10,2s (a) e 10,6s (g). O
consumo só com gasolina fica em torno dos 15,3 km/l
na estrada e 11,2 na cidade, mas com só com álcool
despenca para 7,7 na cidade e 10,7 na estrada oferecendo
uma autonomia de apenas 562 km contra 803 usando só
gasolina.
O câmbio é o mesmo
do Corsa com diferencial mais curto em 4,19:1 contra 3,94:1
do carro. Um dos pontos negativos: brasileiro só
tem direito a freios ABS se comprar o pacote opcional prêmium,
o mais caro. ABS tinha que ser item de segurança
de série obrigatório pelo Contran e não
misturado a um pacote de som, pintura e itens de embelezamento.
Existem 3 modelos da Montana: Básico, sem direção
hidráulica, Sport e Off-Road.