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Aí amigo! Cai na real! A China já
não é mais comunista ou socialista faz tempo.
Sua política externa e falta de liberdades individuais
como o direito à religião e liberdade de expressão
continuam de acordo com o livreto de Mao, mas o mercado é
o mais capitalista de todos.
O Brasil tomou uma ducha fria após
a criação do mais diversificado parque automobilístico
do mundo nos últimos 5 anos. De repente a grana parou
de fluir e algumas marcas até fecharam suas fábricas
e lojas como a poderosa Chrysler. Mas isso tem a ver com Fernando
Henrique, com Lula, com MST? Não! Isso tem a ver com
a China.
No início parecia que a China seria
o “negócio do Brasil” com a exportação
de veículos em CKD como a GMB começou a fazer
com Blazers e Corsas. Também seriam importadores de
nossos excelentes motores a diesel de diversas marcas, alguns
do mais modernos do mundo. Mas os empresários decidiram
tirar sua grana do Brasil e enfiar na China, na Polônia,
na Hungria e na Rússia.
Durante anos trataram nossos 100 a 150 milhões
de habitantes como um poço sem fundo para carros zero
km. Bem, o poço secou. A mesma mentalidade diz a eles
que um país de ideologia comunista e mercado capitalista
com 1 bilhão de pessoas é o grande poço
sem fundo atual. Todo mundo está com fábricas
lá: da Peugeot a BMW. Mas as garças já
não vão voar tão longe.
Um estudo realizado na Europa indica que
essa grande explosão de consumo de carros caríssimos,
alguns modelos ultrapassados como o velho Corsa brasileiro
de 5 mil dólares vendido como Buick Sail de 17 mil
dólares por lá vai acabar em apenas 2 anos e
meio e não em décadas como ocorreu com o Brasil.
Quantos do 1 bilhão de pessoas existem
na China para comprar carros básicos por preços
absurdos? A lei capitalista mais perversa, bem conhecida da
indústria automobilística no Brasil, impera
por lá: o preço é o máximo que
o consumidor estiver disposto a pagar pelo carro. Nada tem
a ver com custos, insumos e impostos: é uma apropriação
de fundos mesmo. Enquanto um Corsa da 500 pratas de lucro
no Brasil o mesmo carro dá 12.500 na China. Você
queria ter um negócio assim? Eu também.
Sem querer enxergar esse aviso de curtíssimo
prazo de 2 anos e meio para o esgotamento do filão,
a cada semana é anunciada uma nova fábrica,
uma nova parceria, e novos recordes como o de hoje, quando
foi divulgado que nos primeiros 8 meses do ano a IMPORTAÇÃO
de veículos pela China aumentou quase 95% em relação
ao mesmo período do ano passado chegando a um número
que beira às raias da insanidade motorizada: 9,3 bilhões
de dólares.
Quase a metade foi de carros, com 61.400
unidades apenas. Numa matemática simples para facilitar,
temos umas 123.000 unidades a 9,3 bilhões o que dá
um custo médio de 75 mil dólares por veículo,
ou seja: a coisa tá vermelha! Tem algo muito errado
por lá! É como a “bolha da Nasdaq”.
Essa loucura vai estourar na cara de todo mundo, e logo.
Esses números de importação
são insignificantes quando comparados à produção
local chinesa nos oito primeiros meses do ano de 1.250.000
unidades, ultrapassando as 1.080.000 em todo o ano de 2002.
E tem gente que ainda acredita que o Brasil é significativo...
Para compensar, a China exportou no mesmo
período cerca de 60.000 unidades, principalmente de
ônibus, caminhões e veículos agrícolas
a 238 milhões de dólares, uns 4 mil dólares
por unidade... Só doido para entender essa balança
comercial.
Ainda falta uma coisa para você
entender essa “bolha chinesa”. Com 1 bilhão
de pessoas, paga-se o salário que se quiser: alguns
dos mais baixos do mundo com exceção de regimes
africanos baseados na pobreza institucional. Como as relações
de emprego continuam comunistas, não são permitidos
os sindicatos, não há regulamentação
trabalhista, piso salarial, proteção e benefícios
aos trabalhadores. Se tiver que despedir mil hoje, amanhã
tem 10 mil na fila para ganhar 60 dólares por mês...
O Rio Amarelo, o YangTsé, agora tem motivos para ter
essa cor: a vergonha.
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