Promoção No Estilo Coca-Cola


Esse é o famigerado posto de troca da promoção. Hoje está. Amanhã não está. Através destes balcões passam dezenas de milhares de brindes.

 

 

 

 

 

 

 

Poucas vezes se viu uma promoção de brindes com tamanho impacto na sociedade. Ah, é claro que aqui não é um posto de troca! Você acha que eu ia mandar as garrafinhas por email para você?

O primeiro impacto é o desejo incontrolável de possuir as garrafinhas sem saber direito o que elas são.

O segundo impacto é descobrir que as garrafas de 600, 2 litros e 2 litros e meio não dão direito a nada na promoção enquanto o 6 pack de latas lhe dá um cartão para uma garrafinha e mais as 6 argolinhas.

O terceiro impacto é depois de você ter juntado as argolinhas e sair com elas no bolso, não conseguir encontrar postos de troca, basicamente concentrados no McDonalds, muitas vezes apenas um por bairro ou região. Você se anima quando alguém diz que achou um posto e vai lá no dia seguinte mas não encontra vivalma. Em locais como Copacabana e Centro do RJ, ambos com população flutuante em torno de 1 milhão de pessoas cada, há apenas um posto de troca.

O quarto impacto é quando um amigo lhe mostra as garrafinhas que já conseguiu enquanto você tem apenas argolinhas. Ora, são frágeis, mal-feitas as tampinhas descolam com a maior facilidade e foram feitas para ficar penduradas, anunciando mais ainda a marca.

O quinto impacto é quando você consegue encontrar um posto de troca e percebe que há pessoas com 100, 200 e até 500 chapinhas em sacos plásticos na sua frente. Quem são estas pessoas? Quase todos são empregados de bares que ficam com a s chapinhas que para as quais os clientes nem ligam. Aí você percebe também que há um fortíssimo mercado ainda para as garrafas de vidro de 290 ml que você julgava quase extintas. Mas essa turma é gente fina, pergunta quantas garrafinhas você vai trocar. Quando você diz uma, eles mandam você entrar na frente deles pois o negócio deles é 50 de cada vez. Coitada da mocinha do posto de troca que precisa contar uma a uma.

O sexto impacto é que voc6e descobre que não pode escolher e o saquinho vem fechado.

O sétimo impacto é quando você nota que há várias pessoas perto do posto de troca sentadas em mesas ou bancos com dezenas de garrafinhas, olhando desconfiados para os lados. Será que há um mercado paralelo? Uma pergunta e a constatação rápida: 1 real por uma garrafinha. Você fica indiganado e vai embora.

O oitavo impacto é quando andando pelo camelódromo você se depara com um camelô, daqueles totalmente ilegais que fica fora da área vendendo as garrafinhas por 1 real. Nova pergunta e a constatação: o pessoal dos bares e restaurantes fica com tantas tampinhas e argolas que trocam e vendem par o camelô por 50 centavos cada uma e ele revende por 1 real. Que negócio surpreendente. A Coca-Cola jamais pensou que haveria um mercado negro para seus brindes e que fosse muito mais vantajoso completar a coleção de uma vez só no camelô que comprar o refrigerante.

A conta é simples: no paralelo, sua coleção pode ser comprada por 16 reais em alguns minutos, sem aquele negócio de garrafinha mais difícil que a outra. Se você for tomar em latinhas, precisará tomar 160 latinhas e atingir a impossibilidade de não receber nenhum pacotinho repetido e gastará entre 240 e 300 reais, dependendo de onde comprar suas latas ao longo do dia. Se tomar nas garrafas, pode se safar por 160 reais... Acredite. Essa promoção vai acabar sendo estudada por todos os marketeiros e esperamos ter contribuído com provas de alguns dos elementos dela.


O flagrante da venda das garrafinhas usando até mesmo um cartaz oficial da promossão. Bob Esponha também tá saindo bem por 1 real...

texto de fotos de José Roitberg - jornalista

 

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